quarta-feira, 14 de julho de 2010

Falso brilhante


Férias podem começar com atrasos de dez horas em vôos; o tempo correndo em saguões lotados de aeroportos frios; gente a te esperar.
Férias podem te deixar com saudade do trabalho, da rotina segura e previsível, do nervosismo do fechamento. Saudade de bater o ponto e ir ao encontro do edredom fofo.
Férias podem te fazer pensar que a escolha mais apropriada não foi feita. E junto vem o alento de que na próxima vez vais acertar.
Férias não recuperam a troca de afeto interrompida pela distância. Convivência é dia-a-dia compartilhado; é domingo com churrasco e maionese; é a pasta de dente que acabou. Não é Skype.
Férias não resolvem problemas familiares; não são suficientes para que a gente consiga matar a saudade do feijão da mãe, do churrasco do irmão, das brincadeiras do vô, do frio, da combinação de três cobertores, do chuveiro a gás.
Férias não dão vida a grandes amores. Às vezes até fazem a gente lembrar com saudade dos pequenos. Muitas vezes nos obrigam a repensar os planos, a prometer não fazê-los mais.
Férias potencializam a adoração por plátanos, por vinho, por música boa tarde da noite.
Férias, mesmo as longas, são sempre curtas, assustadoramente curtas, desesperadamente curtas. Tão curtas que doem. E como dói a vida, para quem espera por esses momentos curtos para viver tudo que dá.

3 comentários:

  1. Débora, minha querida, sei que seria educado da minha parte pedir-lhe autorização, mas não o farei. Estou apenas te comunicando.

    Amanhã irei publicar em meu blogue um texto teu, aquele em que desmascaras os homens, seguido pela minha deselegante resposta.

    Espero que você não se importe.
    Caso se importe, sinto muito.

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  2. Olá, Débora, vim aqui te pedir desculpas.

    Realmente achei que você fosse uma outra pessoa, uma série de coincidêcias me levaram a crer que eras outra pessoa.

    Débora Veríssimo eu conheço e segue meu blogue, entrei no perfil dela, e tinha o seu blogue, como vocês tem a mesma idade, o mesmo nome, e escrevem de um jeito parecido, acabei me precipitando e pressupondo que fossem a mesma pessoa.

    Na foto, inclusive, como não dá para ver de frente, de perfil também pareciam a mesma pessoa.

    Desculpe a invasão, não quis ser deselegante, indelicado ou algo que o valha.

    Sinto muito mesmo, mil perdões.

    Já tirei o seu texto do ar, mas quero que saibas que o postei exatamente por tê-lo achado muito bom, aliás, gosto do que escreves.

    Mais uma vez, mil desculpas e tudo de bom pra ti.

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  3. Férias são como parênteses. Essenciais para o entendimento do resto, mas desconectadas do ritmo fluido do texto.

    De qualquer forma existem, estão ali.
    São respiro, oxigênio, e várias vezes são adrenalina pura.

    E a gente gosta. Pior é que gosta...
    Saudades, amiga.

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